Escolha lexical revela comportamento do consumidor moderno em supermercados
Por Roberta Branco
Se ao sair de casa para fazer compras no hipermercado ou supermercado você diz: “Vou ali, rapidinho no supermercado e já volto. Você precisa de alguma coisa?”, saiba que o seu perfil está totalmente de acordo com o as tendências do comportamento do consumidor moderno.
A princípio, pode parecer uma questão de análise de quadro comportamental, mas trata-se apenas de uma análise sintática. Isto é, ao pronunciar estas palavras, você pode não saber, mas cada uma delas foi escolhida a dedo.
O pronome demonstrativo ali indica que não irá deslocar-se muito, ou seja, é um supermercado localizado logo ali, perto da sua casa. O advérbio de modo rapidinho, e a locução verbal já volto, representam que você não pretende demorar mais do que 20 ou 30 minutinhos. Por fim, ao usar a expressão alguma coisa, indica que você se dispôs a comprar para esta pessoa um ou dois itens, e não a lista do mês, muito embora você sempre acabe levando um produto ou outro além do planejado.
Estatísticas não mentem
Contudo, caso as explicações da gramática ainda não o tenham convencido de que você pertence à grande parcela de consumidores modernos, algumas pesquisas de comportamento podem comprovar o fato. De acordo com a Popai Brasil – Associação voltada para Pesquisas de Desenvolvimento para o Marketing nos Pontos de Venda – a conduta das pessoas que têm o hábito de freqüentar supermercados está cada vez mais marcada pelo encurtamento do tempo. O levantamento, realizado com 1.860 entrevistados em 62 lojas de sete Estados, revelou os seguintes dados:
A expressão ali, rapidinho e já volto
• Em 1998 os clientes gastavam em média 1h e 20 minutos nos supermercados, hoje se gasta apenas 30 minutos.
• Como conseqüência do trânsito, poucos freqüentam supermercados que estão localizados longe de suas casas. Isto revela que 51% vão aos mercados situados no mesmo bairro ou proximidades.
• 25% são os que compõem a camada dos que realizam compras em supermercados localizados longe ou muito longe de suas residências.
• Apenas 44% das pessoas se dispõem a passear entre as gôndolas dos supermercados, ante 56% que de direcionam imediatamente ao corredor no qual o produto procurado está localizado.
A expressão alguma coisa
• Em 1998, os consumidores costumavam realizar a compra do mês. Desta forma, compravam em média, 50 produtos. Em 2010 este número passou para oito itens a cada vez que vão aos supermercados.
• Embora os clientes façam uma lista de produtos necessários, muitos saem com um total e 125% a mais do que o pretendido.
• Um total de 76% dos compradores decide o que vão levar quando estão na loja.
• 12% correspondem aos que compram novos produtos.
De acordo com a tendência
A psicóloga, Paola Araújo, de 27 anos, declara que apesar de gastar em média 1 hora no supermercado para compras rotineiras, não abre mão de deslocar-se até o supermercado mais próximo. Além disso, a entrevistada revela: “Costumo passar de gôndola em gôndola, e por isso sempre levo mais produtos que o planejado. Encho o carrinho com produtos que não tinha a intenção de levar”. Paola diz que preza por qualidade ao invés do preço, entretanto não deixa de comparar os valores, e acrescenta: “Claro que se a diferença for muito grande, levo o mais barato, mas geralmente dou preferência por produtos de qualidade”.